quarta-feira, fevereiro 13, 2019

O Escarrador John Bull de Bordalo Pinheiro

 Bordalo Pinheiro fez esta peça para criticar o ultimato inglês de 1890, o governo inglês intimou Portugal a retirar de circulação o escarrador e o governo português cedeu.
Contexto do ultimato inglês:
Ou Portugal desistia da sua pretensão aos territórios africanos entre Angola e Moçambique ou entraria em guerra com a Inglaterra. Em termos simples, foi este o ultimato feito pela Grã-
Bretanha à coroa portuguesa a 11 de janeiro de 1890. Os ingleses deram 24 horas ao
governo português para decidir, após o que o navio de guerra Enchantress largaria de Vigo
em direção ao Tejo. O Conselho de Estado reúne-se nessa noite e cede.
Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens tinham feito a travessia africana da costa à contra-
costa (ou seja, de Angola a Moçambique) poucos anos antes e a Sociedade de Geografia
de Lisboa cunhou o célebre mapa cor-de-rosa, que estendia a esfera de influência
portuguesa aos territórios entre as duas colónias.
Mas os ingleses tinham outros planos. Numa fase de grande expansão ultramarina,
pretendiam ligar a Cidade do Cabo ao Cairo por caminho-de-ferro e as pretensões
portuguesas colidiam com a sua agenda. Aproveitaram então um recontro do explorador
Serpa Pinto com os Makololos a 8 de novembro de 1889, numa zona reclamada pela coroa
britânica, para fazer o ultimato.
A demonstração de força britânica e a cedência do governo do novo rei português (D. Carlos
I tinha chegado ao trono apenas 70 dias antes) provocaram uma comoção geral, com
editoriais inflamados e manifestações de rua.
É neste contexto que Rafael Bordalo Pinheiro pela primeira vez põe o Zé Povinho a fazer o manguito e molda um penico com a forma de John Bull, a figura que representa a Inglaterra.
A inflamação do sentimento de orgulho nacional ferido é explorada pelos republicanos.
É nesta altura que Henrique Lopes de Mendonça e Keil do Amaral escrevem “A Portuguesa”, entoada nas ruas com o refrão original: “contra os bretões, marchar, marchar”.

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Malteses, Burgueses e às Vezes de Artur Semedo


 Parcialmente rodado em 1973 em Angola, a comédia de Artur Semedo retrata mordazmente a burguesia colonial pondo em cena a aventureira história de um engajador de imigrantes que muda os seus negócios para Angola onde se envolve num obscuro ambiente social e político. Obscuro tornou-se entretanto o próprio filme, por ser uma obra pouco conhecida e sobretudo pouco vista. Estreado no Avis a 11 de Abril de 1974, com distribuição Doperfilme. Texto: Cinemateca Portuguesa

 

domingo, setembro 23, 2018

Máquina de Ressonância Sequencial de Joseph Casbarian

 Criada por Joseph Casbarian, esta máquina sonora encaminha qualquer fonte de som amplificada através de um interruptor de doze posições localizado na parte superior da unidade.
 Este interruptor é controlado por um motor DC de velocidade variável. Acede-se ao sinal a partir do painel de interconexões através dos conectores do interruptor no centro do painel (2 grupos de tomadas). Em seguida, o usuário pode corrigir os sinais comutados em qualquer um dos múltiplos da tomada de tubo (4 grupos de tomadas). A partir desses conectores externos, o sinal é enviado para separar os alto-falantes por baixo de cada um dos doze tubos abrangendo uma oitava C # 4 até C5 (tubo de 4 ').O resultado é um sequenciador muito simples, usando ressonância de tubo para produzir pitch.
 Joseph Casbarian a tocar e a controlar o seu instrumento

 Painel patch para controlar a trajectória dos sinais


O motor de velocidade variável gira a barra de contacto de metal central como uma hélice, que, por sua vez, toca nos contactos, ligando e desligando o som, dependendo de como os trajectos de sinal foram encaminhados pelo painel patch do centro.

Sacado do site Odd music 

domingo, julho 29, 2018

Novmichi Tosa, inventor japonês de máquinas absurdas

Os irmãos Masamichi e Novmichi Tosa criaram um coletivo de artes performativas chamado Maywa Denki em 1993.  Usam "máquinas absurdas" e muitas vezes envolvem o público no processo de criação. Projecto decididamente excêntrico, com produtos geralmente divertidos. Embora Maywa Denki seja apreciado pela sua arte, as suas estratégias promocionais são repletas de variedade: exposições, performances de palco ao vivo, produção de música e vídeo, brinquedos e dispositivos electrónicos. Inicialmente actuando em shoppings ao redor de Tóquio, as aparições na TV deram bastante visibilidade ao grupo. Desde de que o seu irmão mais velho saiu do grupo em 2001 (alegando que ele ficou "um pouco irritadiço"), o líder carismático, Novmichi, divulgou as fantasticas  invenções para multidões por meio de "demonstrações de produtos estilizadas". Mantendo o tema  do "trabalhador comum", Novmichi e seus co-artistas usam trajes azuis que lembram os uniformes normalmente usados ​​pelos funcionários das lojas de electricidade que apoiaram o período económico de alto crescimento do Japão.
A primeira tournée nacional decorreu em 1996. Era um meio perfeito para exibir os seus excêntricos instrumentos criativos, brinquedos inovadores e expressões estranhas de otaku para toda a nação.
A "Unidade de arte", para usar a descrição do próprio, tornou-se uma boa imagem do que o Japão significa culturalmente para muitos no mundo de hoje.