quinta-feira, março 28, 2013

Baixa a tola, ó moina!


Caiu o que restava da Tasca Baixa-a-Tola.
Aqui vai o texto do livro As Tascas do Porto de Raul Simões Pinto:
"Era uma tasca muito castiça, com uma entrada pequena (Talvez daí o nome Baixa-a-Tola). Segundo antigos clientes e hoje velhos «cotas» da Invicta, «provavelmente, seria uma das mais famosas tascas ribeirinhas, onde se comiam as melhores mílharas de sável do Porto».
Por fim, as derrocadas da escarpa, as pedras e o lento fim das barracas dos morros das Fontainhas acabaram com o Baixa-a-Tola... Mantendo-se ainda como recordação a fachada silenciosa com o mesmo nome."
No link abaixo podemos ler a história do ultimo dia do Baixa-a-Tola entre pancadaria e filosofia: http://filosofosdetasco.blogspot.pt/2009/01/o-fim-do-baixa-tola.html#comment-form
 

quinta-feira, março 21, 2013

Esquemas fantásticos do Japonês Kenichi Yamazaki

 
Kenichi Yamazaki, nascido em 1944, na província de Niigata. Desde a sua admissão no hospital psiquiátrico, yamazaki desenha todos os dias. Todos os seus desenhos se parecem a desenhos técnicos de arquitectura ou engenharia e são realizados em papel quadriculado. Ele usa os instrumentos do desenho profissional que guarda numa caixa. Desenha essencialmente plantas de centros de controle que imagina dirigir.
Yamazaki foi internado durante 25 anos. Aparentemente, os sintomas dos seus problemas psiquiatricos aparecem pela primeira vez quando trabalhou temporariamente como funcionário público em Tokio. Fez mais de 3000 desenhos.
Inversão papel milimétrico, compasso, caneta esferográfica, marcador de agua, lápis de co, compasso
Sem titulo (barco grua) - papel milimétrico, compasso, caneta esferográfica, marcador de agua, lápis de cor - 209 mm por 296 mm,

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segunda-feira, março 18, 2013

Tia - luzarina


Cassete de vídeo encontrada.
Na k7 diz: Tia - luzarina.
Na capa diz: -Tia Ester - Pois aqui esta a lembrança da sua irma que nos deixão tristes mais quando você vir esta cassete lembresse dela a rir como elha aqui esta é pena ser so um minute mais e com muito gosto que lhe oferecemos le esta lembrança. Beijinhos e abraços. Ester é honorio


quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Resumo do livro Pintores e Poetas de Rilhafoles de Júlio Dantas de 1900

Embora Dantas, influenciado pela nova psiquiatria italiana do final do século XIX, tenha conferido à arte dos loucos um nível estético nulo, a importância que lhe deu a nível psiquiátrico fez com que criasse um documento importantíssimo para a história da Arte Bruta de Portugal. Várias vezes o autor faz a comparação da arte dos pacientes com vários artistas e movimentos da época remetendo ambos para uma arte degenerada. Este é um livro de essência estética fascista e dogmática usando a arte Outsider como o mau exemplo a seguir. Vou deixar o 4º capítulo inteiro na publicação a seguir, pois são 12 descrições de pacientes, das suas doenças e das suas obras, o escritor divaga entre admiração e a repulsa em relação aos poetas e pintores de Rilhafoles, penso que o último será Ângelo de Lima, o poeta.

I - A ideia de fazer esta monografia surgiu ao autor ao observar a colecção de Miguel Bombarda em Rilhafoles, influenciado por um artigo de 1989 de um psiquiatra americano chamado Ales Hrdlicka. Considera que a loucura sempre fez parte da história de Portugal inclusive de Reis e Rainhas, defendendo que para um crítico de arte é necessário conhecer a arte dos manicómios para a diferenciar da arte oficial.Para o autor embora sendo uma arte menor, a arte dos loucos tem uma grande importância para a psiquiatria, pois os doentes ao não conseguirem exteriorizar o seu sistema delirante através de uma comunicação verbal, pode-no exteriorizar através duma pintura ou de uma carta.

II - É reforçada a ideia de que a colecção de Rilhafoles em geral é bastante vulgar, com valor estético mínimo ou nulo, o grande valor é exclusivamente psiquiátrico. São os delírios e as alucinações transportados para o papel que originam estes documentos plásticos. Tal como a paranóia que alastra para fora dos muros dos "manicómios e alastra, cá por fora, dando os revolucionários, os anarquistas, os malucos, os santos, e toda essa galeria de figuras de cera da literatura e da arte decadente, a que é de uso chamar simbolistas, místicos, neo-goticos, bizantinos, pré-rafaelitas, e vários outros nomes de gíria bárbara criados com pior ou melhor fortuna pelos pseudo-génios da Dissolução."

III - A paranóia é a única raça de loucura compatível com a vida social, sendo a decadência artística o primeiro sinal da fraqueza de um povo e o início do fim de uma raça.

IV - Em Rilhafoles há muito mais pintores que grafómanos, pois predominam os analfabetos. O autor prossegue valorizando alguns dos artistas loucos. Os grafómonos exprimem-se através de várias técnicas: autobiografias, cartas eróticas, folhetos reformatórios, jornais e sátiras hospitalares.

V - Dantas faz uma divisão em nove categorias e descreve-as:
a) Anacronismo. Regressão -  A mente de um paranóico é um regresso aos antepassados ancestrais e de si mesmo. Sistematizações arcaicas aplicadas como sistematizações superficiais com origem na ignorância.
b) Simbolismo, Alegoria - Os loucos são primitivos, demonstram-no  por exemplo na obsessão pelo religioso e na ressurreição arcaica das histórias dos príncipes e dos réis. "A verdadeira característica da regressão paranóica não é a escolha do motivo obsoleto; é o anacronismo da maneira, da intenção, do processo, da técnica, o recuo da visão estética, do sentimento da cor e do sentimento da forma, todo esse ar de manifesta primitividade que faz regressar de muitos séculos a arte."
c) Simetria - Quanto menor é a inteligência de um doente maior é a tendência para a simetria
d) Cromofilía - Os pacientes muitas vezes desenham pequenas figuras geométricas simplesmente pelo prazer de as colorir. Muitas vezes procuram a intensidade do colorido, buscando a violência, a cracocromia. É comum recortarem papel de cor e colar no desenho.
e) Auto-reprodução somática - Os artistas loucos estigmatizam sempre as suas características, reproduzindo-se a si mesmo nos seus trabalhos.
f) Onomatopoiése, neologismo - O calão, a gíria criminal, a gíria dos malandros é usada também pelos paranóicos, maníacos, epilépticos e criminosos natos. Falta um estudo do calão popular em Portugal
g) Incoerência - Muitos dos documentos escritos são criados sem uma lógica, a repetição é bastante comum, a mistura de diversos contextos, linguagem fragmentaria, grotesca. Por vezes o paciente cria uma gíria individual descrevendo as suas alucinações ou ideias, um verdadeiro «calão
paranóico», que torna ás vezes difícil a interpretação dos seus documentos.
h) Erro egocêntrico - Interpretação errada do exterior, perverte e deforma o mundo circundante face ao seu ego. Daí o estranho e monstruoso das criações do paranóico, quando referidas ao seu sistema delirante.
i) viciações epilépticas - Júlio Dantas reforça a ideia de que não há um sequer génio neste hospital psiquiátrico, descrevendo as características negativas.

VI - Todas as características anteriormente referidas podem ser vistas nalguns dos nossos pintores e poetas mais altamente cotados. É a arte decadente a que mais pontos de contacto oferece com a arte manicomial. É preciso mostrar à crítica a arte manicomial, para que a arte sã evite os seus defeitos para poder educar a grande massa que não sente, nem pensa por si.