quinta-feira, janeiro 10, 2013

Visita a Valência em Novembro

Obrigado ao Héctor por servir de nosso guia e anfitrião, este post é dedicado à Laura e ao seu filhote Joan recentemente nascido.
Abaixo podemos ver uma antiga loja de postais, notas, moedas, cromos e cartazes, na praça dos Peixets, não conseguimos perceber se ainda estava em funcionamento, na altura estava fechada.
O placard de publicidade era bastante invulgar dado o seu tamanho e o relevo das imagens.


 A casa dos gatos na Rua Museo feita por um artista renegado argentino há muitos anos que a dedicou a quatro gatos de rua que frequentavam aquela zona. Em cima do muro está uma escultura de um gato e em baixo a fachada da casa e um canteiro com plantas


Nos azulejos da  fachada da pequena casa pode ler-se em valenciano: ” A la memoria dels cuatre gats que quedaren al Barri del Carme l’any MXCIV. Mai se les va a sentir un mia mes alt que altre”

 
Numa das janelas  podemos ver em personagem, acho que é o Charlie Chaplin.

 
 Estes azulejos encontram-se na casa em frente, talvez feitos pelo mesmo artista
 
Perto da mesma rua fomos a uma exposição organizada pelo Centro Ocupacional Koynos associação de apoio ao diminuído intelectual, abaixo estão alguns dos quadros expostos:

 
 Um dos monumentos antigos mais interessantes de Valência é a Lonja de la Seda e as suas gárgulas góticas com animais fantásticos, monstros e figuras humanas em poses provocatórias: 
Para mais informações sobre estas gárgulas ver aqui .

No café-concerto La Caverna vimos a monobanda Tumba Swing, um homem orquestra, uma das músicas que cantou, 'La Parada de Jesus', é sobre o acidente que houve no metro na paragem de metro 'Jesus' em 2006, no qual morreram 43 pessoas, no refrão diz: 'O diabo chegou, à paragem de Jesus'.


Na sede da CNT no Cabanyal, pudemos observar,Tintxi: Teatro Bergante De Marionetas um dos melhores espectáculos que já vi nos últimos tempos, uma espécie de teatro bruto de marionetas representando cenas de chungaria do quotidiano como um cientista a esquartejar bebés ou um sem abrigo a usar seringas usadas encontradas no lixo. O auge aconteceu quando uma das marionetas vomitou para cima da assistência.
No vídeo acima podemos ver um documentário sobre o trabalho e os bonecos de Tintxi.
E aqui está o único tasco que encontramos em Valência, chama-se Depende em frente ao Mercat de Russafa, é gerido por chilenos ou equatorianos não sei bem e tem um ambiente bem pesado, como se gosta.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Máquina que tira fotografias com relevo

Notícia de 4 de Janeiro de 1968 no Diário de Lisboa sobre uma máquina fotográfica para invisuais de um inventor secreto:

 INVENTO DE UM PORTUGUÊS
Os cegos podem «ver» fotografias tiradas por uma máquina especial
    NOTICIA SENSAÇÃO: um português descobriu um tipo de máquina que tira fotografias capazes de serem «vistas» pelos cegos.
    O invento, cuja descrição foi apresentada ao I Concurso Nacional de Inventos de Prevenção, promovido pelo Gabinete de Higiene e Segurança do Trabalho da Junta de Acção Social, é inédito. Pelos menos em Portugal.
    «Nós não temos conhecimento de que exista algo do género», disseram-nos dois cegos da Liga João de Deus, «Fora do País - acrescentou o sr. Joaquim Guerrinha, 54 anos, chefe da secretaria daquela instituição - sabemos que existem fotografias em relevo destinadas a invisuais. Ignoramos o processo da sua obtenção». «Tais fotografias - declara, por seu turno, o sr. Raul Bernardes Júnior, chefe da direcção da Liga, aluno de 7º ano da alínea D (Filosóficas) - dão-nos apenas as formas das coisas e nunca a sua expressão. No entanto através delas poderemos distinguir uma mulher de um homem ou este tipo de individuo daquele outro».
    O funcionamento da máquina, bem como o seu modelo, são ainda secretos. Secreto é, também o nome do inventor. Apenas a comissão organizadora do Concurso Nacional de Inventos de Prevenção o conhece. Ele só será revelado quando o júri do concurso tornar público os inventos admitidos. Tal facto não se verificará antes de Fevereiro.
        Outros inventos:
Ao Gabinete de  Higiene e Segurança do Trabalho chegam, diariamente, comunicações sobre outros inventos. Entre eles citamos:
ÓCULOS ANTICOLISÃO: Este aparelho já foi apresentado na XVI Exposição de Inventores de Bruxelas no qual coube uma medalha de ouro. Tais óculos estão equipados com um dispositivo que faz para o automóvel no momento em que o motorista adormece ao volante. Pode funcionar também, por exemplo, em relação a uma máquina;
PERSPECTOSCOPIO: Aparelho que dá perspectiva das coisas a uma pessoa cega de uma vista;
BOTAS E LUVAS ALFORRECAS: Processo auxiliar de natação, que pode ser usado no socorro a náufragos. Botas e luvas funcionam à maneira das alforrecas, quando se deslocam na água. Daí o nome;
CAIXA HORÁRIA: Caixa que só abre no dia e na hora que previamente lhe foi «marcada». Adaptada a portas, cofres, etc., funciona como dispositivo de segurança contra roubos;
BALOUÇO DE DUAS ATMOSFERAS: Aparelho de respiração artificial, a empregar em casos de asfixia. É formado de oxigénio puro a duas atmosferas.

quarta-feira, dezembro 12, 2012

António Peralta, O pintor que esculpia histórias

António Peralta isolou-se num período da sua vida, quase ninguém tinha conhecimento que ele fazia estes baixos-relevos na altura separando-os do seu trabalho habitual de arte de carpinteiro de obra grossa. Praticamente desconhecido, inclusive no meio artístico, teve agora a sua merecida exposição no Museu de Etnologia de Lisboa.
Aqui está o texto e as imagens da exposição:

António Peralta em sua casa a receber os visitantes de Lisboa (1979?) Foto de Vitor Simões

António Peralta (1919-1984) nasceu em Vila Nova do Coito (Almoster) onde residiu grande parte da sua vida. Foi carpinteiro de muita obra, desde o travejamento e emadeiramento da casa em construção, ao mobiliário, alfaia agrícola e outro equipamento doméstico ou da lavoura.

No começo da década de 1950 vive com a sua companheira na aldeia vizinha de Alforzemel, na casa que está a concluir e onde tem a sua oficina. Quando a conhecemos, falou-nos daquela intensa relação e do interesse de Peralta pela leitura. Daí ela dizer saber de memória o Amor de Perdição que o companheiro lhe lia em voz alta. Virão em breve os anos de ruptura desta ligação, e um progressivo isolamento afasta-o do convívio de familiares e vizinhos. Estes, aparentemente, não vieram a ter conhecimento e nada nos podem dizer da sua obra de artista.

Sabemos que no começo dos anos de 1960 já fazia quadros como os que mostramos, talvez mesmo alguns dos que aqui podemos ver. E é também naqueles anos que deixa de aceitar trabalhos de obra grossa como os que antes fazia.

Peralta vinha a Lisboa de camioneta, na carreira do Vinagre, e colocava os seus quadros em estabelecimentos em vários pontos da cidade, sem que saibamos ainda os motivos ou o puro acaso dessa escolha. Temos notícia, por exemplo, de lugares na Rua da Palma, Rua Barros Queirós, Rua Cecílio de Sousa, ou um adelo entre Alfama e St.ª Apolónia. Ali viriam a despertar o olhar e o fascínio daqueles que, pelos canais da amizade e de cumplicidades sociais e estéticas, partilharam essa revelação.

A pesquisa que conduzimos, inspirada pelas duas exposições antes feitas nas Galerias Trem e Arco (Faro, 1996) e na Galeria Novo Século (Lisboa, 1998), permitiu reunir cerca de uma centena de quadros e tomar conhecimento de muitos outros que não vieram a ser contemplados nesta exposição. São um espaço em aberto para múltiplas interrogações de uma obra cuja leitura não se esgota na enumeração dos temas, e encontrará muito do seu sentido na própria exigência formal e na execução material que o autor nelas imprime. Uma obra que ajuda a colocar questões para uma antropologia da construção do indivíduo e das formas de interrogar o mundo.

A exposição tornou-se possível pela disponibilidade, generosidade e entusiasmo dos coleccionadores da obra de António Peralta que acrescentaram ao empréstimo dos quadros as preciosas informações sobre as circunstâncias da sua aquisição e a expressão da emoção e dos afectos que neles se projectam.

 Passagem dos tempos
 
Rebento

 






























































 Evoluções


 Fruto do Amor . O primeiro adquirido por Carlos Barroco. 
Aquele por onde terá começado a irradiação do interesse pela obra do autor
 Morte, união e esperança


 Quando os hábitos mudam

Mesa com alguns instrumentos de trabalho e o 
quadro Fé, esperança e caridade (1979 ?) Foto de Vitor Simões