Por várias vezes e em diversos lugares, o povo se amotinou. O mais grave desses levantamentos foi o de Évora, em 1637, a propósito de um novo lançamento de tributos. Esse motim alastrou pelo Alentejo e Algarve e transformou-se numa revolta contra o governo filipino, que a esmagou pela força das armas.
Foi chamado a revolta do Manuelinho. Manuelinho era o nome dado a um pobre doido muito conhecido em Évora. É claro que não foi o louco que se revoltou; mas os cabecilhas ocultos do levantamento davam as suas ordens assinando Manuelinho.
As desordens com que a revolta começousão assim descritas por um autor desse tempo, D. Francisco Manuel de Melo;
«Com súbito estrondo, ardendo todos (os populares que estavam defronte da casa do Corregedor, representante do governo) em ira, clamaram a morte do Corregedor e liberdade e vida dos Populares. A um mesmo tempo se levantou a voz e a força; e quase sem espaço de tempo, era entrada e acesa a casa daquele Ministro... Toda a prata, ouro e dinheiro, que despojavam, queimaram na Praça... não havendo entre tanta multidão... uma só pessoa que se movesse a salvar em seu proveito das que outros entregavam às chamas... Tal era o òdio, que pode mais que a cobiça, mais poderosa que tudo... Romperam as balanças, donde se cobrava o novo impodto da carne...».
E outro historiador dessa época, Manuel Severim de Faria, confirma:
«Notou se que em todos estes acontecimentos não houve ânimo nenhum de se furtar coisa alguma; tudo que se achou nestas casas ou veio à fogueira da praça ou saiu em pedaços pelas janelas, e tanto assim que até umas panelas de doces, que estavam em casa do Corregedor, vieram à mesma fogueira, sem haver quem lhes tocasse para outro efeito».
in História e Geografia, 1º ano - Ciclo Preparatório, 1970
sexta-feira, maio 25, 2012
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
sexta-feira, janeiro 20, 2012
Júlio de matos... hospital?
Excerto do documentário 1974 - JÚLIO DE MATOS... HOSPITAL? realizado por José Carlos Marques
Na aurora da revolução, a realidade do Hospital Júlio de Matos,em Lisboa, ao tempo da inauguração (1942) um dos melhores da Europa. A degradação das instalações, a sordidez com que são tratados os doentes mentais. Exploração da terapêutica ocupacional.
Rodagem original em Super 8 mm. Este filme foi distinguido com o 1º Prémio pela Associação Francesa de Cinema de Arte e Ensaio, uma Menção Especial do Júri e o Prémio da Crítica no Festival de Toulon, e o Label de Qualité no Festival de Belfort.
16* mm - c - 330 mt - 29 mn. Realização: - José Carlos Marques. Produção: - José Carlos Marques. Fotografia: - José Carlos Marques.
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Vídeo Encontrado
terça-feira, novembro 15, 2011
Poema e Toponímia de uma Rua Calçada

umblogquesejaseu.blogspot.com
CALÇADA DA CORTICEIRA
Calçada muito íngreme com seu granito gasto
Com seus caudais de àgua o Rio Douro poluindo
No cimo das Fontainhas recinto muito vasto
Um velho fontenário no local vai existindo
Mulheres semi-escravas em busca de seu pão
Pés calejados e nús subiam a calçada
No seu modo de vida plena escravidão
Para dar pão aos filhos ia sofrendo carregada.
Com fardos de carqueja às costas suportavam
A cabeça aguentava e os rins gemiam
A custo e chorando sua vida até lamentavam
As forças esgotadas, em suor se desfaziam.
Setenta kilos de peso, era de enorme volume
E senhoritas grávidas tal peso suportavam
Pernas nuas tremiam com incrível azedume
E outras famintas por vezes abortavam
Mães em sinal de cruz repetiam seus alardes
Ao cruzarem a capela na calçada abandonada
As mulheres heroínas, homens tão cobardes
E o amor para com elas consistia em pancada.
Historial do Porto Antigo, José Fernandes Saraiva, 1992
Calçada da cortiçeira
A mais antiga referência que temos ao Sítio da Corticeira, encontrámo-la num registo de óbito da freguesia de Santo Ildefonso - a que então pertencia - de 1970.
E difícil destrinçar depois o que se refere à Calçada e à Rua da Corticeira. Por isso delas diremos em conjunto.
Continuam os registos paroquiais: Rua da Corticeira, 1771; Bairro e Rua da Corticeira, 1793; Calçada da Corticeira, 1846.
Em 15 de Outubro de 1847, o jornal portuense «O Puritano» anunciava a arrematação dos rendiemntos de umas casas «no caminho ou rua da corticeira, encostadas ao muro das Fontainhas».
Alguns exemplos, a título de curiosidade: domingo, 28 de Junho de 1846, de manhã, um indivíduo suicidou-se, lançando-se ao Douro do Penedo da Corticeira - «era vestido com decência, sobrecasaca e chapéu de castor»; sábado, 25 de Julho seguinte, às duas da tarde,dois galegos foram ao sítio da Corticeira banhar-se e um deles morreu afogado; logo no outro dia, a 26, um grupo de caceteiros, que então infestavam a cidade, partiu a cabeça a um soldado do 3; em 8 de Agosto, ainda do mesmo ano, noticiavam os periódicos que numa das noites anteriores se ouviram na Calçada da Corticeira gritos de socorro a que ninguém acudiu - de manhãencontraram-se ali rastos de sangue, em direcção ao rio, o que fez supor ter sido a vítima lançada à àgua.
E basta destes tétricos «casos do dia»...
Não sabemos a origem do topónimo. Alcunha ou profissão de alguma moradora local? Por servir de cais de desembarque de cortiça vinda Douro abaixo? Indústria local? Talvez.
A planta redonda de Balck (1815) já o menciona, mas um tanto desbocadoda sua verdadeira localização, para as bandas do Poço das Patas. Erro, ou outro topónimo semelhante? Inclinamo-nos para a primeira hipótese.
toponímia portuense, Eugénio Andrea da Cunhae Freitas, 1999
Mais sobre a Cortiçeira:
portojofotos.blogspot.com
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Exploração Urbana,
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