sexta-feira, janeiro 20, 2012

Júlio de matos... hospital?



Excerto do documentário 1974 - JÚLIO DE MATOS... HOSPITAL? realizado por José Carlos Marques
Na aurora da revolução, a realidade do Hospital Júlio de Matos,em Lisboa, ao tempo da inauguração (1942) um dos melhores da Europa. A degradação das instalações, a sordidez com que são tratados os doentes mentais. Exploração da terapêutica ocupacional.
Rodagem original em Super 8 mm. Este filme foi distinguido com o 1º Prémio pela Associação Francesa de Cinema de Arte e Ensaio, uma Menção Especial do Júri e o Prémio da Crítica no Festival de Toulon, e o Label de Qualité no Festival de Belfort.
16* mm - c - 330 mt - 29 mn. Realização: - José Carlos Marques. Produção: - José Carlos Marques. Fotografia: - José Carlos Marques.

terça-feira, novembro 15, 2011

Poema e Toponímia de uma Rua Calçada


umblogquesejaseu.blogspot.com


CALÇADA DA CORTICEIRA

Calçada muito íngreme com seu granito gasto
Com seus caudais de àgua o Rio Douro poluindo
No cimo das Fontainhas recinto muito vasto
Um velho fontenário no local vai existindo

Mulheres semi-escravas em busca de seu pão
Pés calejados e nús subiam a calçada
No seu modo de vida plena escravidão
Para dar pão aos filhos ia sofrendo carregada.

Com fardos de carqueja às costas suportavam
A cabeça aguentava e os rins gemiam
A custo e chorando sua vida até lamentavam
As forças esgotadas, em suor se desfaziam.

Setenta kilos de peso, era de enorme volume
E senhoritas grávidas tal peso suportavam
Pernas nuas tremiam com incrível azedume
E outras famintas por vezes abortavam

Mães em sinal de cruz repetiam seus alardes
Ao cruzarem a capela na calçada abandonada
As mulheres heroínas, homens tão cobardes
E o amor para com elas consistia em pancada.

Historial do Porto Antigo, José Fernandes Saraiva, 1992


Calçada da cortiçeira

A mais antiga referência que temos ao Sítio da Corticeira, encontrámo-la num registo de óbito da freguesia de Santo Ildefonso - a que então pertencia - de 1970.
E difícil destrinçar depois o que se refere à Calçada e à Rua da Corticeira. Por isso delas diremos em conjunto.
Continuam os registos paroquiais: Rua da Corticeira, 1771; Bairro e Rua da Corticeira, 1793; Calçada da Corticeira, 1846.
Em 15 de Outubro de 1847, o jornal portuense «O Puritano» anunciava a arrematação dos rendiemntos de umas casas «no caminho ou rua da corticeira, encostadas ao muro das Fontainhas».
Alguns exemplos, a título de curiosidade: domingo, 28 de Junho de 1846, de manhã, um indivíduo suicidou-se, lançando-se ao Douro do Penedo da Corticeira - «era vestido com decência, sobrecasaca e chapéu de castor»; sábado, 25 de Julho seguinte, às duas da tarde,dois galegos foram ao sítio da Corticeira banhar-se e um deles morreu afogado; logo no outro dia, a 26, um grupo de caceteiros, que então infestavam a cidade, partiu a cabeça a um soldado do 3; em 8 de Agosto, ainda do mesmo ano, noticiavam os periódicos que numa das noites anteriores se ouviram na Calçada da Corticeira gritos de socorro a que ninguém acudiu - de manhãencontraram-se ali rastos de sangue, em direcção ao rio, o que fez supor ter sido a vítima lançada à àgua.
E basta destes tétricos «casos do dia»...
Não sabemos a origem do topónimo. Alcunha ou profissão de alguma moradora local? Por servir de cais de desembarque de cortiça vinda Douro abaixo? Indústria local? Talvez.
A planta redonda de Balck (1815) já o menciona, mas um tanto desbocadoda sua verdadeira localização, para as bandas do Poço das Patas. Erro, ou outro topónimo semelhante? Inclinamo-nos para a primeira hipótese.

toponímia portuense, Eugénio Andrea da Cunhae Freitas, 1999

Mais sobre a Cortiçeira:
portojofotos.blogspot.com

Novo Look em M.U.P.I.

Imagem de publicidade modificada a baton numa zona de travestis



Reportagem por Sr. Rabelo Costas

domingo, novembro 13, 2011

Misemono


Os espectáculos Misemono foram uma parte importante da cultura japonesa urbana do Periodo Edo (1603 - 1868). Muitas destas feiras eram caracterizadas pela sua crueza.O termo misemono data do Periodo Edo, embora a sua origem deverá ser anterior. Entre os antecedentes destas actuações estariam os espectáculos de benefeciência para angariação de fundos para os templos e santuários.
A qualidade das actuações era bastante elevada para este periodo.

Por exemplo,Hayatake Torakichi, um popular acrobata da altura até nos Estados Unidos actuou. Nestas feiras ambulantes montadas em tendas vendia-se variadas coisas como imagens de Budas feitas de peixe seco mal-cheiroso ou cestos de bambu.O humor e o bizarro eram duas das características para a feitura destes objectos.



As múmias-sereias eram uma visão comum nestes carnavais populares.

Muitas vezes eram apresentados vários achados educacionais e científicos em forma de entretenimento, como por exemplo, bonecas representando grávidas com barrigas removíveis e fetos que se podiam mudar.